BRASÍLIA

POLÍTICA NACIONAL

Comissão de Direitos Humanos do Senado realiza audiência pública para debater o tráfico de pessoas e outros crimes transnacionais

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Debate reúne autoridades e especialistas para discutir medidas de enfrentamento à violação de direitos humanos no Brasil e no mundo

 

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal tem a satisfação de promover, nesta segunda-feira (10), às 10h, mais uma audiência pública dentro do ciclo de debates sobre crimes transnacionais e direitos humanos, com foco especial no tráfico de pessoas.

Autores do requerimento que deu origem à audiência, a presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH), senadora Damares Alves (Republicanos-DF), e o senador Eduardo Girão (Novo-CE) destacam a urgência do debate diante do aumento expressivo dos casos de tráfico de pessoas no Brasil, especialmente envolvendo crianças, adolescentes, mulheres e outros grupos vulneráveis, conforme apontado por registros da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

 

Segundo dados recentes da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, cerca de 48,56% das violações registradas no Brasil em 2024 estão relacionadas ao tráfico de pessoas. Crianças, adolescentes, mulheres e demais grupos vulneráveis são as principais vítimas dessa prática cruel e silenciosa.

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Diante da urgência e complexidade do tema, a audiência busca reunir esforços e contribuições de representantes de órgãos públicos, especialistas nacionais e internacionais, além da sociedade civil, com o propósito de fortalecer as ações de prevenção, repressão e proteção às vítimas.

Expositores confirmados:

  • Senadora Damares Alves
    Advogada, ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, atual presidente da CDH no Senado Federal.
  • Senador Eduardo Girão
    Membro da CDH, tem atuado firmemente no combate às diversas violações de direitos humanos, incluindo o tráfico internacional de pessoas.
  • Paulo Alcantara
    Desembargador do TRT-6 (PE), coordenador de diversos programas e comitês de enfrentamento ao trabalho escravo e tráfico de pessoas no Estado de Pernambuco e no âmbito do CNJ.
  • Cíntia Menezes Brunetta
    Presidente do Comitê Nacional de Combate ao Trabalho em Condições Análogas à de Escravo e ao Tráfico de Pessoas (CONATRETAP) do CNMP.
  • Denise Abreu Cavalcanti
    Especialista em direito internacional e migracional, mestre em Direito das Migrações Transnacionais, vice-presidente da Comissão Nacional de Refugiados do IBDFAM e assessora jurídica da Operação Acolhida.
  • Hugo Acha
    Diretor de Pesquisa da Foundation for Human Rights in Cuba (FHRC) e Senior Research Fellow no Center for a Secure Free Society. Atua no monitoramento de violações de direitos humanos, com foco no tráfico humano e financiamento de redes criminosas.
  • Henrique Oliveira Santos
    Chefe da Divisão de Repressão ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes da Polícia Federal (DRTP/CGDH/DICOR/PF).
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Como participar

A audiência será interativa, com participação aberta ao público por meio do Portal e‑Cidadania (www.senado.leg.br/ecidadania) e da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211). As contribuições dos cidadãos poderão ser lidas e respondidas ao vivo pelos debatedores.

O Senado disponibiliza declaração de participação, válida como atividade complementar para estudantes universitários.

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POLÍTICA NACIONAL

Comissão aprova criação de sistema nacional de prevenção e combate ao feminicídio

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A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou projeto que cria o Sistema Nacional de Prevenção e Combate ao Feminicídio (SinaFem). A proposta busca integrar, em todo o país, as ações dos órgãos de segurança pública, Justiça, saúde e assistência social para prevenir a violência contra a mulher e fortalecer a proteção às vítimas.

O texto também institui o Alerta Imediato de Risco Feminicida. O sistema permite que a polícia seja acionada em até uma hora após o registro de denúncia que indique ameaça grave, risco iminente de feminicídio ou reincidência de violência doméstica. Caso o protocolo não seja cumprido, o agente público responsável poderá responder administrativamente.

O colegiado aprovou o substitutivo da relatora, deputada Delegada Ione (PL-MG), ao Projeto de Lei 6072/25, do deputado Ribamar Silva (Pode-SP), e apensados.

O texto aprovado reúne medidas previstas em três propostas e faz ajustes para evitar sobreposição com mudanças recentes na Lei Maria da Penha. “A proposição é estratégica no combate da violência de gênero ao retirar a prevenção ao abuso contra as mulheres da esfera das intenções e colocá-la no campo das obrigações legais, com dotação orçamentária e protocolo operacional claro”, afirmou a parlamentar.

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O texto aprovado também prevê que estados, Distrito Federal e municípios destinem percentual mínimo de seus orçamentos a políticas de proteção às mulheres e determina que a União institua cofinanciamento para essas ações.

Sistema nacional
Entre as ações previstas para o SinaFem estão:

  • campanhas permanentes de conscientização sobre violência contra a mulher;
  • capacitação de agentes públicos;
  • fortalecimento da integração entre segurança pública, saúde, assistência social e educação;
  • divulgação de informações sobre sinais de risco e mecanismos de proteção; e
  • atendimento prioritário às famílias de vítimas de feminicídio, especialmente filhos menores de idade e dependentes econômicos.

Rede de acolhimento e apoio aos órfãos
A proposta cria ainda a Rede Nacional de Acolhimento às Mulheres, para oferecer atendimento psicossocial e jurídico às vítimas de violência.

Também institui o Fundo Nacional de Amparo aos Órfãos do Feminicídio, destinado a garantir proteção financeira e educacional aos filhos e dependentes das vítimas.

Além disso, o agressor condenado perderá automaticamente o poder familiar e deverá pagar pensão mensal aos filhos da vítima até os 24 anos.

Outras medidas
O texto também estabelece:

  • criação do Programa Nacional de Casas-Abrigo Permanentes, com cofinanciamento federal e estadual;
  • obrigatoriedade de Delegacias da Mulher funcionando 24 horas em municípios com mais de 100 mil habitantes, admitindo consórcios regionais para cidades menores;
  • criação da Patrulha Nacional Permanente de Proteção à Mulher;
  • instituição do Dossiê Nacional de Risco Feminicida, com classificação objetiva do risco e prioridade para mulheres em situação de maior vulnerabilidade;
  • criação do Programa Nacional de Prevenção Escolar ao Feminicídio, com ações educativas nas escolas; e
  • criação de um canal nacional para recebimento de denúncias qualificadas de risco de feminicídio.
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Próximos passos
A proposta será analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, seguirá para votação pelo Plenário da Câmara. Para virar lei, precisará ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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