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Mortalidade empresarial no Brasil expõe falhas estruturais de gestão

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Dados do IBGE e do Sebrae indicam que a alta taxa de fechamento de empresas no país está mais ligada a fragilidades internas do que à falta de demanda

Quando o resultado não vem, o diagnóstico costuma ser imediato e o mercado é apontado como principal responsável. Entram na lista a instabilidade econômica, a carga tributária, o crédito restrito e o comportamento do consumidor. Esses fatores fazem parte do ambiente de negócios, mas raramente explicam o problema por completo.

Em muitos casos, funcionam mais como justificativa do que como causa, já que o que limita o crescimento está, com frequência, dentro da própria empresa. O desafio não é identificar oportunidades, mas transformar esse potencial em resultado consistente ao longo do tempo.

Os dados ajudam a deslocar a discussão do campo da percepção. Levantamentos do IBGE mostram que mais de 60% das empresas brasileiras encerram as atividades antes de completar cinco anos. Estudos do Sebrae apontam falhas de gestão, ausência de planejamento e controle financeiro inadequado entre os principais fatores de fechamento. O problema não é a falta de demanda, mas a incapacidade de estruturar a operação para responder a ela.

“Existe uma tendência de buscar fatores externos para explicar desempenho, quando o maior risco está na forma como a empresa é gerida. Negócios bem organizados atravessam cenários difíceis. Negócios desestruturados não sustentam crescimento nem em momentos favoráveis”, afirma Rafael Lima, especialista em gestão empresarial e cultura de resultados.

Essa percepção também aparece na leitura de executivos. O Índice Mercado & Opinião, que reúne a visão de lideranças sobre desempenho e ambiente de negócios, aponta que os principais entraves ao crescimento estão mais ligados à execução, eficiência operacional e capacidade de gestão do que a fatores externos.

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“Existe um discurso recorrente de que o problema está sempre fora da empresa, mas quando ouvimos quem está na ponta, a leitura é outra. O que trava crescimento, na maioria das vezes, é gestão, execução e falta de consistência”, afirma Marcos Koenigkan.

O Brasil está longe de ser um país sem mercado. Com mais de 200 milhões de consumidores e setores como varejo, serviços e alimentação em expansão, o ambiente segue dinâmico. Dados da Global Entrepreneurship Monitor reforçam que o país permanece entre os mais empreendedores do mundo. Abrir uma empresa nunca foi o principal obstáculo. Fazer com que ela funcione de forma previsível é o verdadeiro desafio.

Dentro das organizações, o padrão se repete. Processos pouco definidos, decisões concentradas em uma única liderança, ausência de indicadores confiáveis e uma cultura reativa. No curto prazo, esse modelo mantém a operação ativa. No médio, compromete a capacidade de crescer.

“Quando tudo depende do dono ou do gestor principal, a empresa até anda, mas não evolui. Crescer exige organização, clareza de metas e autonomia para a equipe decidir”, diz Rafael Lima.

A área financeira costuma expor esse desalinhamento de forma ainda mais evidente. Muitas empresas faturam, mas não geram resultado. Misturam contas pessoais com as corporativas, não acompanham margens com precisão e tomam decisões sem base consistente de dados. Faturamento, isoladamente, deixou de ser indicador de saúde.

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Segundo o Sebrae, a fragilidade na gestão financeira segue entre os principais vetores de mortalidade empresarial, especialmente entre pequenos e médios negócios.

Esse quadro se agrava quando o crescimento chega. Expandir não corrige falhas de gestão, apenas as amplifica. Uma operação desorganizada, diante de maior demanda, perde eficiência, aumenta custos e compromete a qualidade.

“Crescimento sem base é risco. A empresa fatura mais, mas perde controle e passa a decidir no escuro. Em pouco tempo, o avanço se transforma em instabilidade”, afirma Rafael Lima.

Há ainda um ponto menos visível, mas determinante, que é a formação de lideranças. Promover bons executores sem preparo gerencial compromete a tomada de decisão e limita a capacidade de sustentar resultados. O efeito é conhecido: sobrecarga, baixa retenção e lentidão na execução.

Isso não elimina os desafios externos, que continuam relevantes. A diferença está na forma de resposta. Empresas bem geridas ajustam rotas com rapidez, absorvem impactos e mantêm consistência mesmo em ambientes adversos.

“Gestão é garantir que a empresa funcione bem sem depender de uma única pessoa. Quando há clareza, processo e responsabilidade distribuída, o resultado deixa de ser esforço e passa a ser consequência”, diz Rafael Lima.

O Brasil continua oferecendo oportunidades para quem decide empreender. Transformar esse potencial em resultado exige método, disciplina e organização. Enquanto o problema for tratado como externo, as soluções tendem a ser superficiais. E o crescimento, quando vier, continuará sendo mais circunstancial do que estratégico.

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Calistenia vs. musculação: qual é melhor para o ganho de massa muscular?

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Especialista explica as diferenças entre as modalidades e dá dicas para quem quer ganhar massa muscular sem frequentar academia

A calistenia, modalidade de treinamento baseada em exercícios com o peso do próprio corpo, consolidou espaço entre as principais tendências do universo fitness e saúde. Impulsionada pela praticidade, pela popularização nas redes sociais e pela busca por treinos mais acessíveis, a prática passou a ser associada também ao ganho de massa muscular e à força funcional. Mas será que a modalidade é realmente eficaz? Segundo o educador físico especialista em calistenia Felipe Kutianki, a hipertrofia é possível mesmo sem equipamentos tradicionais de academia, desde que haja estratégia de progressão e estímulos adequados.

Apesar da percepção de que a musculação seria superior para a construção muscular, estudos recentes apontam que exercícios com peso corporal podem gerar hipertrofia em níveis comparáveis aos treinos com cargas externas. Segundo o especialista, os mecanismos fisiológicos são os mesmos. “A hipertrofia acontece por tensão mecânica, dano muscular e estresse metabólico. A calistenia consegue gerar esses três estímulos quando o treino é realizado próximo da falha muscular e com volume adequado”, explica Kutianki.

A principal diferença entre as modalidades está na forma de progressão. Enquanto na musculação o aumento de carga ocorre com anilhas e máquinas, na calistenia a evolução depende da manipulação de alavancas, da amplitude dos movimentos, das fases excêntricas controladas e até da inclusão de peso adicional no corpo. “Quando o praticante executa muitas repetições com facilidade, é necessário modificar o ângulo do exercício, adicionar lastro, aumentar o tempo sob tensão ou ampliar a amplitude do movimento”, afirma o especialista. Segundo ele, atletas avançados chegam a utilizar cargas de 40 a 50 quilos adicionais em exercícios como barras e dips.

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Fisicamente, as diferenças entre praticantes de calistenia e musculação tendem a ser menores do que o imaginário popular sugere. Kutianki explica que a musculação permite maior controle de carga e, consequentemente, acelera o ganho de volume muscular. Já a calistenia costuma resultar em um físico mais atlético, definido e funcional, com ênfase no controle corporal e na resistência. “É um ganho mais lento, porém com mais qualidade, já que existe um forte trabalho de estabilização e coordenação neuromuscular”, avalia.

Entre os erros mais comuns observados pelo especialista estão a falta de progressão, treinos sem intensidade suficiente, execução inadequada dos movimentos e alimentação incompatível com objetivos de hipertrofia. Segundo ele, repetir os mesmos exercícios sem aumentar a dificuldade reduz os estímulos musculares. “Sem superávit calórico e ingestão adequada de proteínas, o corpo não tem substrato para crescimento, independentemente da modalidade escolhida”, alerta.

Para finalizar, o especialista destaca que a calistenia pode ser praticada por diferentes perfis, desde iniciantes até atletas avançados, por ser uma modalidade adaptável e acessível. Além de contribuir para o ganho de massa muscular, os exercícios compostos também auxiliam no desenvolvimento de força, mobilidade e coordenação motora. “É possível conquistar hipertrofia com a calistenia, desde que exista um planejamento adequado de treino e alimentação. A grande vantagem é que a prática pode ser feita em casa ou em espaços públicos, sem necessidade de equipamentos caros, sempre com orientação profissional e liberação médica quando necessária”, conclui.

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SOBRE FELIPE KUTIANSKI

Especialista em calistenia, biomecânica e fisiologia do exercício, Felipe Kutianski construiu sua trajetória ajudando pessoas comuns a transformarem o corpo e a saúde com estratégias práticas, acessíveis e sustentáveis. Seu trabalho une conhecimento técnico, experiência de campo e uma abordagem baseada na ciência, com foco em emagrecimento, definição muscular e melhora da qualidade de vida. Criador de métodos aplicados ao treinamento com peso corporal, Felipe defende que é possível conquistar resultados reais sem depender de academias, treinos mirabolantes ou soluções extremas. Para mais informações sobre seu trabalho, acesse o perfil oficial no Instagram: @fefokutianski

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