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Qualificação é desafio para inclusão de crianças atípicas

Crescimento acelerado de matrículas de alunos neurodivergentes expõe déficit de capacitação de profissionais, sobrecarga de educadores e dificuldade de atendimento inclusivo em todo o país

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Qualificação é desafio para inclusão de crianças atípicas

O aumento expressivo no número de crianças neurodivergentes matriculadas nas escolas brasileiras tem evidenciado um problema estrutural cada vez mais urgente: a necessidade de mais profissionais qualificados para garantir uma educação verdadeiramente inclusiva. Diretores de escola, professores e famílias relatam dificuldades diárias para atender alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições atípicas diante da escassez de mediadores, acompanhantes terapêuticos, profissionais de apoio e formação especializada.

Dados recentes do Ministério da Educação (MEC) apontam que o Brasil chegou a 2,5 milhões de matrículas na educação especial em 2025, com cerca de 1,2 milhão de estudantes autistas (45,5%), crescimento superior a 400% desde 2020. Apesar do avanço no acesso à escola regular, especialistas alertam que a estrutura das instituições não acompanhou essa demanda.

"A inclusão escolar só acontece de verdade quando existe preparo técnico e suporte humano contínuo. Sem isso, a escola fica sobrecarregada e a criança não recebe o atendimento que precisa para se desenvolver plenamente", afirma a neuropsicóloga e membro da equipe técnica da ÍmPares, Luciana Azambuja.

Segundo levantamento divulgado com base no Censo Escolar 2025, 30% dos municípios brasileiros afirmam não ter profissionais de apoio escolar suficientes para atender estudantes com deficiência, TEA e superdotação. Esta carência compromete atividades básicas de integração, adaptação pedagógica, alimentação, locomoção e suporte emocional dentro das salas de aula.

Outro dado que chama atenção é a baixa qualificação específica dos educadores. Informações recentes mostram que apenas 6,4% dos professores da educação básica e 11,3% dos diretores realizaram cursos de formação em inclusão com carga horária superior a 80 horas.

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"Hoje, muitas escolas querem incluir, mas não conseguem atender adequadamente porque faltam profissionais preparados e políticas públicas permanentes. A inclusão não pode existir apenas no papel", relata a co-fundadora da ÍmPares Camila Melnick.

Justiça e nova legislação

Em diversas regiões do país, famílias têm recorrido à Justiça para garantir o direito de acompanhamento especializado para crianças autistas dentro das escolas. Reportagens recentes exibidas na imprensa nacional vêm mostrando o crescimento dessa realidade e os impactos da falta de suporte educacional adequado.

O tema ganhou destaque em programas de grande audiência, com reportagens relacionadas à inclusão e à necessidade de ambientes mais preparados para crianças atípicas. "No Abril Azul, campanhas dão visibilidade ao Transtorno do Espectro Autista (TEA) com o objetivo de promover a inclusão social, divulgar informações corretas e combater o preconceito. É importantíssimo este movimento. No entanto, temos que pensar na realidade das famílias ao longo do tempo e nas políticas públicas que vão dar suporte a essa inclusão", destaca a co-fundadora da ÍmPares Caroline Turri.

Diretores de escola relatam desafios ligados à adaptação pedagógica, acolhimento sensorial, acessibilidade e conscientização da comunidade escolar. O Decreto nº 12.773, de 8 de dezembro de 2025, que trata da Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e altera o Decreto nº 12.686, de 20 de outubro de 2025, prevê, entre outras medidas, a formação específica de professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) com carga horária mínima de 360 horas e de profissionais do ambiente escolar, com carga horária mínima de 180 horas.

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"Mais do que seguir a lei, as escolas precisam estar de fato preparadas para o acolhimento dessas crianças. Esta é a principal questão que as instituições públicas e privadas devem resolver", afirma Camila.

Urgência na formação

A capacitação dos profissionais no ambiente escolar foi uma das alternativas encontradas por Camila e os sócios Caroline Turri e André Borba para ajudar as escolas a vencer este desafio. Juntos, construíram uma proposta de plataforma com trilhas híbridas de formação e conteúdos multidisciplinares, com atuação desde o entendimento das atipias até o papel da escola na inclusão, na construção e no desenvolvimento integral do aluno. Os módulos de estudo contemplam também o bem-estar e a saúde emocional dos profissionais que trabalham nas instituições educacionais e a promoção de um ambiente de acolhimento para as famílias.

"Nosso objetivo vai além do aprendizado. Queremos que instituições e profissionais evoluam e se fortaleçam. São mais de 2,5 milhões de estudantes com deficiência, transtorno do espectro autista, altas habilidades ou superdotação hoje nas escolas, e sabemos dos desafios para incluí-los e para adaptar os processos de ensino-aprendizagem neste contexto", afirma Camila.

"Temos o propósito de fortalecer instituições, disseminar conhecimento e inspirar práticas que promovam pertencimento e oportunidades reais de desenvolvimento a partir de espaços que reconhecem singularidades e ampliam o potencial humano. Estamos fazendo uma forte imersão junto a secretarias de Educação e escolas em contextos diversos, que têm essa questão comum a resolver", explica André Borba.

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Infraestrutura pública impulsiona setor de máquinas

O Novo PAC destina R$ 1,8 trilhão em infraestrutura urbana, com R$ 123 bilhões para cidades sustentáveis, gerando demanda direta por equipamentos de construção e limpeza mecanizada de vias em municípios de todos os portes.

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Infraestrutura pública impulsiona setor de máquinas

O Novo PAC, programa de investimentos do Governo Federal em parceria com estados, municípios e setor privado, destinará R$ 1,8 trilhão em infraestrutura por todo o Brasil, sendo R$ 1,3 trilhão aplicado até 2026. Só no Ministério das Cidades, os recursos estão organizados em 10 modalidades que abrangem saneamento, mobilidade urbana, habitação e pavimentação. O volume de obras abertas simultaneamente em cidades de todos os portes amplia as frentes de canteiro e aquece a demanda por equipamentos de limpeza mecanizada de vias.

O programa destina mais de R$ 123 bilhões para infraestrutura urbana no eixo Cidades Sustentáveis e Resilientes, abrangendo frentes como urbanização de favelas, mobilidade urbana, gestão de resíduos sólidos, esgotamento sanitário e prevenção a desastres. Dentro desse escopo, R$ 23,6 bilhões estão voltados para empreendimentos de mobilidade urbana em grandes e médias cidades, com obras de BRTs, VLTs, trens urbanos, metrôs e corredores de ônibus, além de outros R$ 5,2 bilhões para a retomada de obras desse ramo que estão paralisadas. Para a prevenção de desastres, o programa aplica R$ 3,5 bilhões na retomada e conclusão de 86 obras de drenagem e contenção de encostas.

Desde o lançamento do programa, em 2023, já foram alcançados 126 municípios em 21 estados, com a retomada e conclusão de 125 obras que estavam paralisadas, em ritmo lento ou não haviam sido iniciadas. O volume mais expressivo, no entanto, ainda está em execução: outras 227 intervenções seguem em andamento ou em processo de licitação, distribuídas por 137 municípios de todas as regiões do país, totalizando R$ 45 bilhões em investimentos. Somente para a prevenção de desastres, o programa destina R$ 3,5 bilhões para a retomada e conclusão de obras de drenagem e contenção de encostas, além de mais R$ 15,1 bilhões em 482 novas obras selecionadas.

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Não por acaso, o setor de máquinas e equipamentos encerrou 2025 com a receita de R$ 298,9 bilhões, representando um crescimento de 7,3%, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ). O desempenho do setor foi sustentado principalmente pelo mercado doméstico. As indústrias de bens de consumo e extrativas puxaram os investimentos, junto com as obras de infraestrutura.

Matheus K. Leite, engenheiro mecânico da Bristol, indústria de implementos hidráulicos e agrícolas, explica que "o impacto de programas estruturantes como o Novo PAC sobre o mercado de equipamentos de construção é bastante direto e perceptível, principalmente em segmentos ligados a fundações, perfuração, pavimentação, saneamento e infraestrutura logística. Quando o investimento público ganha previsibilidade e volume, toda a cadeia passa a antecipar aumento de demanda".

Para as construtoras que executam essas obras, a gestão da limpeza dos canteiros é uma frente operacional constante. Leite explica que, na prática, cada etapa, como terraplenagem, pavimentação ou drenagem, deixa resíduos sobre as vias que precisam ser removidos com regularidade para garantir segurança e continuidade do serviço. Obras urbanas têm uma característica em comum: geram resíduos contínuos, tais quais areia solta, brita fina, entulho miúdo, que se acumulam sobre as vias e dentro dos próprios canteiros. Quanto maior o volume de frentes abertas, maior o passivo de limpeza que precisa ser gerenciado no dia a dia da obra.

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Dentre as máquinas que traduzem essa relação entre infraestrutura pública e demanda por equipamentos, o engenheiro destaca a vassoura hidráulica, acessório usado na limpeza de canteiros de obras e vias públicas. "Em operações de infraestrutura, pavimentação, terraplenagem e manutenção urbana, o acúmulo de resíduos impacta a segurança. Com centenas de obras ocorrendo simultaneamente como consequência do Novo PAC, esse impacto se multiplica, e com ele, a demanda por soluções que permitam manter a segurança e a qualidade do ambiente urbano", afirma Leite.

No cenário das obras urbanas, Leite aponta que a vassoura hidráulica pode ser acoplada a tratores ou minicarregadores já utilizados no canteiro, o que elimina a necessidade de um equipamento exclusivo para essa função. "Ela otimiza o tempo de operação e reduz a necessidade de trabalho manual. Além disso, quando acoplado a máquinas hidráulicas já presentes na obra, esse implemento amplia a versatilidade do equipamento, permitindo que uma única máquina execute múltiplas funções no mesmo local de trabalho", acentua o engenheiro.

Com centenas de frentes de obras abertas simultaneamente em todo o país, o momento é de demanda aquecida, e os canteiros precisam de soluções práticas, como aponta o engenheiro. Nesse contexto, segundo o especialista, implementos que ampliam a capacidade dos equipamentos já em operação, sem exigir novos investimentos em maquinário, mostram-se uma alternativa prática para construtoras que precisam manter ritmo e padrão de segurança ao longo de todo o ciclo da obra.

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