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Senado aprova educação financeira obrigatória nas escolas

O Senado aprovou projeto que torna a educação financeira obrigatória no ensino fundamental e médio, integrando o tema à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A medida, proposta pela deputada Any Ortiz e relatada pela senadora Teresa Leitão, inclui conteúdos sobre finanças pessoais, impostos, previdência e seguros. O texto segue para a Câmara dos Deputados e, se sancionado, entrará em vigor em 2026.

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Senado aprova educação financeira obrigatória nas escolas

O Brasil acaba de dar um passo histórico. A Câmara ainda precisa confirmar a aprovação do projeto, mas a aprovação no Senado sinaliza que, em breve, todo aluno do ensino fundamental e médio terá contato obrigatório com finanças pessoais.

Segundo Jailson Ferreira da Silva, empresário do setor, a aprovação do projeto de lei pode mudar a economia do país, incluindo a educação financeira como tema transversal obrigatório nos currículos do ensino fundamental e médio. De autoria da deputada Any Ortiz (Cidadania-RS) e relatada pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), a proposta agora retorna à Câmara dos Deputados para análise final antes de seguir para sanção presidencial.

A mudança é mais profunda do que parece.

O que muda na prática

Desde 2017, a educação financeira constava da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas como tema opcional. A abordagem dependia da vontade de cada escola, rede ou professor. Quem tinha acesso, ganhava uma vantagem real para a vida adulta. Quem não tinha, seguia sem ferramentas.

O projeto aprovado pelo Senado muda essa lógica. A educação financeira passará a estar prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), o que torna sua aplicação obrigatória em todo o território brasileiro.

O ensino será transversal — ou seja, permeia todas as disciplinas e todos os anos de escolaridade, em vez de vir isolado em uma única aula ou fase. Matemática, história, geografia, ciências: todas as áreas podem abordar finanças, consumo, planejamento e cidadania econômica.

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Além do orçamento: previdência, impostos e seguros

A relatora Teresa Leitão ampliou o texto original. Além de finanças pessoais, o projeto agora exige que os alunos aprendam sobre:

  • Educação fiscal: como funcionam os impostos e por que eles financiam serviços públicos;
  • Previdência social: como funciona a aposentadoria e a importância do planejamento de longo prazo;
  • Seguros: proteção e gestão de riscos na vida pessoal e familiar.

"Ao se estender a abordagem para além da dimensão estritamente financeira, amplia-se a capacidade do cidadão de compreender seus direitos e deveres perante o Estado e o mercado", afirmou a senadora na justificativa.

Por que isso importa agora

Os números não deixam dúvida sobre a urgência:

  • 71,7 milhões de brasileiros estavam endividados em agosto de 2025 — crescimento de 9,2% em um ano;
  • 60% da população acredita que as redes sociais incentivam consumo excessivo;
  • O número de pessoas atendidas por dependência em apostas na rede pública cresceu sete vezes desde 2020.

O projeto reconhece que a pressão social do consumo, a oferta de crédito fácil e a falta de preparação formam um ciclo perigoso. A escola é o único espaço onde se pode quebrar esse ciclo de forma democrática e em larga escala.

Autonomia das escolas

Um ponto importante: o projeto preserva a autonomia de cada escola para organizar o tema de acordo com sua realidade local. A ideia não é sobrecarregar o currículo, mas integrar conteúdos que já existem sob uma lente financeira e cidadã. Cada estabelecimento de ensino decide como aplicar, mas não pode mais deixar de aplicar.

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O texto ainda precisa ser revalidado pela Câmara dos Deputados por ter sofrido alterações no Senado. Depois, segue para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tramitação costuma ser rápida em projetos de consenso, e a expectativa é que a lei esteja em vigor ainda em 2026.

O desafio seguinte será a formação de professores. Poucos docentes da rede pública têm preparação específica em educação financeira. Programas como o Aprender Valor, do Banco Central, e a iniciativa do MEC para capacitar 500 mil professores são passos na direção certa, mas a demanda será enorme.

Jailson Ferreira afirma que a aprovação no Senado é mais do que uma vitória legislativa. É um reconhecimento de que educar para o dinheiro é educar para a vida. A escola não forma apenas profissionais. Forma cidadãos que precisam tomar decisões diárias sobre consumo, trabalho, tributos e futuro.

Se a Câmara confirmar o projeto e o presidente sancionar, o Brasil finalmente terá uma política educacional que responde a uma das necessidades mais urgentes da sociedade brasileira: a autonomia financeira como direito de todos, não privilégio de poucos.

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Alta da inadimplência reforça cuidados com as finanças

Com o Brasil registrando recorde de inadimplência, economista orienta como recuperar o controle do orçamento, negociar débitos e evitar novos atrasos

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Alta da inadimplência reforça cuidados com as finanças

O número de brasileiros com dificuldades para manter as contas em dia continua crescendo e acende um alerta sobre a saúde financeira das famílias. Em maio de 2026, o país chegou a 75,06 milhões de consumidores com restrições no CPF, o equivalente a 44,8% da população adulta, segundo levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil.

O cenário se torna ainda mais preocupante quando analisado em conjunto com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em maio deste ano, 81,6% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, o maior índice desde o início da série histórica da pesquisa, em 2010. O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento e foi apontado pela entidade como um dos fatores que mais pressionam o orçamento das famílias, devido às elevadas taxas de juros.

De acordo com dados da Agência Senado, o aumento do custo de vida, os juros elevados, a expansão do crédito rotativo e até o impacto das apostas online sobre o orçamento doméstico têm contribuído para esse cenário. Segundo Ricardo de Almeida, diretor financeiro do Cartão de TODOS, isso torna cada vez mais importante adotar estratégias para recuperar o equilíbrio financeiro. "Retomar o acesso ao crédito é uma conquista importante, mas reconstruir a saúde financeira exige disciplina, planejamento e novos hábitos. Isso permite conquistar tranquilidade, previsibilidade e qualidade de vida", afirma.

Endividamento e inadimplência não são a mesma coisa

Embora os termos sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles representam situações diferentes.

Uma pessoa endividada é aquela que possui compromissos financeiros assumidos, como financiamento, empréstimo, parcelas do cartão de crédito ou crediário. Isso não significa, necessariamente, que exista um problema financeiro, desde que os pagamentos estejam sendo feitos dentro do prazo.

Já a inadimplência ocorre quando essas contas deixam de ser pagas na data de vencimento. Dependendo do tempo de atraso, o consumidor pode ter o nome incluído em cadastros de proteção ao crédito, além de sofrer com o acúmulo de juros e multas.

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Segundo Ricardo, os sinais de desequilíbrio financeiro costumam aparecer muito antes da negativação. "O primeiro deles é quando a pessoa começa a parcelar no cartão de crédito despesas básicas, como supermercado, combustível ou contas da casa", alerta.

De acordo com o executivo, fechar o mês sem "conseguir poupar nenhum valor, atrasar pequenas contas ou precisar escolher qual boleto pagar primeiro" também é um sinal preocupante. Ele reforça que "quando o orçamento deixa de fechar todos os meses, é hora de agir. Esperar a inadimplência chegar torna a recuperação muito mais difícil, pois existe um acúmulo e, muitas vezes, juros e multas", explica.

Como reorganizar as finanças e sair da inadimplência

1) Fazer um diagnóstico completo das dívidas

O primeiro passo é entender exatamente qual é a situação financeira. Reúna todas as informações sobre as dívidas em uma planilha, aplicativo ou até mesmo em um caderno. Ter essa visão completa facilita a definição de prioridades e evita que contas mais caras continuem crescendo sem controle. É importante identificar:

  • Quanto é devido;
  • Para quem a dívida deve ser paga;
  • Quais juros estão sendo cobrados;
  • Quais débitos representam maior risco financeiro.

2) Organizar o orçamento da família

Depois de mapear as dívidas, é hora de entender como o dinheiro entra e sai todos os meses. A recomendação é listar toda a renda familiar e organizar as despesas por ordem de prioridade, diferenciando gastos essenciais, despesas fixas, despesas variáveis e gastos que podem ser reduzidos ou eliminados temporariamente. Esse planejamento ajuda a adequar o padrão de consumo à realidade financeira e cria espaço no orçamento para quitar os débitos.

3) Priorizar as dívidas com juros mais altos

Nem todas as dívidas têm o mesmo impacto no orçamento. Cartão de crédito, cheque especial e alguns financiamentos costumam apresentar as maiores taxas de juros do mercado. Por isso, devem ser negociados primeiro para impedir que o saldo devedor continue aumentando mês após mês.

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4) Aproveitar oportunidades para renegociar

Quanto mais tempo uma dívida permanece em atraso, maior tende a ser o valor final por causa dos juros e das multas. Por isso, acompanhar campanhas de renegociação, programas especiais e feirões pode representar uma oportunidade de reduzir significativamente o saldo devedor e reorganizar as finanças.

5) Começar uma reserva financeira, mesmo que pequena

Após renegociar as dívidas, o próximo desafio é evitar que novos imprevistos levem novamente ao endividamento. Guardar uma pequena quantia todos os meses ajuda a formar uma reserva de emergência, reduzindo a necessidade de recorrer ao cartão de crédito ou ao cheque especial diante de despesas inesperadas.

Como negociar dívidas de forma mais eficiente

Negociar não significa apenas conseguir um desconto. O objetivo deve ser encontrar um acordo que realmente caiba no orçamento e possa ser cumprido até o fim. "É importante levantar o valor da dívida inicial e o valor atual com juros, pois isso ajuda saber realmente o que está pagando e aumenta o poder de negociação. Não adianta aceitar uma parcela que será impossível pagar daqui dois meses", acentua Ricardo.

O economista também aponta a importância de feirões e campanhas de renegociação, como a iniciativa "Desconto que desenrola", do Cartão de TODOS, que acontece até 31 de julho e oferece até 50% de desconto e parcelamento em até 6x para clientes regularizarem suas dívidas. "Essas iniciativas ajudam muitos brasileiros a darem o primeiro passo para terem uma melhor qualidade de vida, com descontos e condições facilitadas", destaca.

Os erros mais comuns após renegociar as dívidas

  • Acreditar que quitar a dívida resolve definitivamente o problema;
  • Retomar rapidamente um padrão de consumo elevado;
  • Voltar a utilizar todo o limite do cartão de crédito;
  • Não controlar os pequenos gastos diários;
  • Deixar de construir uma reserva para imprevistos.

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