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Agentes de IA já demonstram potencial para ataques autônomos

Levantamento do ESET Threat Report H1 2026 encontrou mais de 3 mil componentes maliciosos, enquanto episódio recente envolvendo a OpenAI expõe os riscos de sistemas capazes de operar de forma autônoma

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Agentes de IA já demonstram potencial para ataques autônomos

O episódio envolvendo modelos avançados de inteligência artificial da OpenAI, que, durante um teste de segurança, agiram de forma autônoma e conseguiram acessar sistemas da plataforma Hugging Face, acende um alerta sobre uma das principais mudanças trazidas pela nova geração de inteligência artificial: a capacidade de executar ações sem intervenção humana a cada etapa. Para a ESET, o caso reforça uma tendência que já aparece no cenário de ameaças: à medida que agentes de IA ganham autonomia para acessar sistemas, tomar decisões e realizar tarefas, eles também passam a criar novas oportunidades para ataques cibernéticos.

O caso, divulgado em julho, envolveu um agente da OpenAI que estava sendo testado em um ambiente controlado, mas conseguiu explorar uma vulnerabilidade e escapar do ambiente de teste para acessar sistemas da Hugging Face. A própria OpenAI classificou o episódio como "sem precedentes". O incidente levantou novas discussões sobre a segurança dos chamados agentes de IA e sobre a capacidade das organizações de controlar sistemas que podem executar ações de forma autônoma.

A situação chama atenção justamente porque essa autonomia não é apenas uma possibilidade futura. É o mesmo movimento que começa a transformar a forma como empresas utilizam inteligência artificial — e que já está sendo observado pelos pesquisadores de segurança. De acordo com o mais recente ESET Threat Report H1 2026, ao analisar quase 900 mil AI Skills, pequenos componentes que conectam agentes de IA a diferentes serviços, a ESET identificou cerca de 25 mil consideradas suspeitas e mais de 3 mil classificadas como maliciosas.

Da conversa à ação: o que muda com os agentes de IA

Nos últimos anos, a inteligência artificial se tornou uma aliada para escrever e-mails, resumir reuniões, traduzir documentos e gerar apresentações. Agora, uma nova geração de sistemas começa a assumir um papel diferente: além de responder comandos, os chamados agentes de IA conseguem executar tarefas em nome do usuário.

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Um agente pode, por exemplo, consultar a agenda, pesquisar passagens, comparar preços, fazer reservas, enviar um roteiro por e-mail e adicionar compromissos ao calendário. No ambiente corporativo, pode reunir informações de diferentes plataformas, elaborar relatórios, atualizar cadastros, responder a clientes e automatizar fluxos de trabalho.

Para realizar essas tarefas, os agentes utilizam pequenos componentes chamados AI Skills, que funcionam como conectores entre a inteligência artificial e os diferentes serviços aos quais ela precisa acessar. São essas Skills que permitem integrar um agente ao e-mail, ao calendário, ao CRM, ao sistema financeiro ou a plataformas de armazenamento de arquivos.

Foi justamente nesse ecossistema que a ESET encontrou milhares de componentes maliciosos ou suspeitos.

Entre eles, os pesquisadores identificaram Skills capazes de instalar ferramentas utilizadas em ataques cibernéticos, alterar seu comportamento para dificultar a detecção e até se apresentar como scanners de segurança sem oferecer proteção real. Em comum, elas exploram a confiança em uma tecnologia que ainda está construindo seus mecanismos de validação e governança.

O caso envolvendo a OpenAI mostra como esse tipo de autonomia pode assumir uma dimensão ainda mais complexa quando agentes recebem capacidade de interagir com ambientes digitais. Para Jake Moore, consultor global de cibersegurança da ESET, o episódio também merece ser analisado sob uma perspectiva mais ampla.

"Isso levanta a questão de se a OpenAI estaria tentando alcançar o sucesso de marketing da Anthropic", diz.

Segundo Moore, a discussão sobre as capacidades dos sistemas de IA também acontece em um cenário de forte competição entre as empresas que desenvolvem essas tecnologias, o que torna importante analisar criticamente tanto as demonstrações de capacidade quanto os riscos associados a elas.

Autonomia exige uma nova abordagem de segurança

Para a ESET, o avanço dos agentes de IA exige uma mudança na forma como empresas encaram a segurança. Se, até agora, a principal preocupação era escolher o melhor modelo de inteligência artificial, a próxima etapa será definir como esses agentes podem agir, quais sistemas podem acessar e quais componentes podem utilizar.

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O incidente envolvendo a OpenAI reforça justamente essa necessidade: um ambiente pensado para testar a segurança de um sistema autônomo também precisa considerar que o próprio agente pode identificar vulnerabilidades, tomar decisões e buscar caminhos não previstos inicialmente pelos desenvolvedores.

"Estamos entrando em uma nova fase da inteligência artificial. Se antes ela ajudava as pessoas a produzir conteúdo, agora começa a executar tarefas que antes dependiam exclusivamente delas. Isso representa um enorme ganho de produtividade, mas também amplia a responsabilidade sobre quais ferramentas recebem acesso a informações, sistemas e processos da empresa. Os criminosos perceberam essa mudança muito cedo e já começam a preparar ataques voltados a esse novo ecossistema", afirma Jonathan Ramos, pesquisador de Segurança da ESET Brasil.

Segundo o especialista, o movimento lembra o início das lojas de aplicativos para smartphones e das extensões de navegadores. "Toda tecnologia que ganha escala cria um ecossistema de desenvolvedores e serviços. Infelizmente, isso também atrai agentes mal-intencionados. A diferença é que, desta vez, esses sistemas podem tomar decisões e executar tarefas em nome do usuário", conclui o pesquisador.

A combinação entre autonomia, acesso a sistemas e componentes de terceiros cria, portanto, uma nova superfície de ataque. Quanto mais tarefas os agentes forem capazes de executar, maior será também o impacto potencial de uma Skill maliciosa ou de uma vulnerabilidade explorada pelo próprio agente.

Para as empresas, isso significa que a segurança precisa acompanhar a evolução da tecnologia desde sua implementação. Avaliar quais agentes podem ser utilizados, quais Skills podem ser instaladas, quais permissões são concedidas e quais sistemas podem ser acessados passa a fazer parte da governança de segurança.

Em outras palavras, quanto mais autonomia a IA ganha, mais importante se torna saber exatamente o que ela pode fazer — e até onde pode chegar.

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Pesquisadora da UNESCO explica Laboratório de Futuros

Experiência realizada em Paracatu reúne participantes para ampliar a capacidade de imaginar futuros possíveis para o território e refletir sobre decisões tomadas no presente

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Pesquisadora da UNESCO explica Laboratório de Futuros

Quando uma cidade pensa no futuro, geralmente tenta responder o que vai acontecer. Mas e se a pergunta fosse outra: que futuros somos capazes de imaginar e o que essas imagens revelam sobre as escolhas que fazemos hoje? É a partir dessa provocação que será realizado, de 20 a 22 de agosto deste ano, em Paracatu, o Laboratório de Alfabetização em Futuros, experiência que abre a programação do III Seminário de Economia da Cultura de Paracatu – Olhares para o Futuro.

Realizado no âmbito da Cátedra UNESCO de Bem-Estar Planetário e Antecipação Regenerativa, vinculada ao Museu do Amanhã e à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Laboratório propõe uma experiência de inteligência coletiva. Durante três dias, os participantes serão convidados a imaginar diferentes futuros para Paracatu, questionar as premissas que orientam essas visões e, a partir delas, voltar o olhar para o presente.

A proposta, explica a pesquisadora da Cátedra UNESCO e professora do Mestrado em Ciências da Sustentabilidade da PUC-Rio, Anna Carolina Fornero Aguiar, que, junto à Beatriz Carneiro, será facilitadora do Laboratório, não é prever o que acontecerá nem apresentar um cenário pronto para a cidade. "Não existe um único futuro esperando para ser descoberto. Existem diversas possibilidades de amanhã", completa.

A Alfabetização em Futuros utiliza essas possibilidades para compreender melhor o presente, tornando mais visíveis expectativas, valores, medos e pressupostos que influenciam as decisões.

Imaginar para enxergar novas possibilidades

Para Anna Carolina, todas as pessoas usam o futuro cotidianamente. Ao escolher uma profissão, planejar uma viagem ou fazer um investimento, por exemplo, tomam decisões no presente a partir de alguma imagem do que poderá acontecer. O Laboratório busca tornar esse processo mais consciente e ajuda os participantes a reconhecerem como constroem suas imagens de futuro, identificar as ideias que sustentam essas visões e ampliar o conjunto de possibilidades que conseguem imaginar. "Imaginar futuros não é um exercício de adivinhação. É um exercício de ampliação da percepção", afirma. A ideia é pensar nos futuros considerados prováveis e desejáveis, mas também experimentar possibilidades menos óbvias.

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Para a pesquisadora, essa reflexão é importante porque as cidades produzem futuros o tempo todo. Decisões sobre infraestrutura, educação, mineração, uso do solo, cultura, formação profissional e recuperação ambiental podem gerar consequências durante décadas ou séculos. "A questão, portanto, não é se Paracatu irá se relacionar com o futuro, mas com qual repertório de futuros a cidade está tomando suas decisões hoje", destaca.

A emergência climática e as transformações no mundo do trabalho são dois dos principais eixos do Laboratório. A proposta é ir além da simples projeção de problemas e imaginar como o território pode se reorganizar diante das mudanças previstas e já em curso, quais conhecimentos locais podem ganhar importância e que soluções podem ser ampliadas.

Nesse contexto, cultura, arte e economia criativa também entram na discussão. Para Anna Carolina, esses campos não devem ser separados das agendas de clima e desenvolvimento, já que transformações sustentáveis dependem não apenas de tecnologia e investimentos, mas também de mudanças de valores, comportamentos e relações com o território. "Cultura e arte atuam sobre o imaginário, preservam memória e identidade e produzem pertencimento, podendo se conectar ao turismo, patrimônio, produção artística e novas atividades econômicas", reforça.

Retorno da pesquisadora da Unesco em Paracatu

Doutora em Ecologia pela UFMG, Anna Carolina Fornero Aguiar pesquisa temas relacionados à transição energética e aos neoecossistemas e tem trajetória ligada à mineração, restauração, impactos ambientais e cultura.

Ela esteve em Paracatu em 2025, quando apresentou a palestra "Urgência Climática e Futuro Regenerativo: Cultura, Tecnologia e Natureza em Travessia". Agora, retorna em uma posição diferente: em vez de apresentar uma visão de futuro para o território, será uma das facilitadoras do processo para que os próprios participantes construam e ampliem suas perspectivas.

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"Agora, nós damos um passo diferente e, em vez de eu falar sobre esses futuros, Paracatu vai falar sobre seus próprios futuros", explica. Para ela, temas como sustentabilidade, transição energética, mineração, biodiversidade, restauração, cultura, trabalho e desenvolvimento territorial estão interligados. Por isso, o Laboratório pretende colocar em diálogo o conhecimento técnico e o conhecimento de quem vive e conhece o território.

Ao final dos três dias, a expectativa não é definir um único futuro para Paracatu, mas ampliar a capacidade de perceber possibilidades e interpretar o presente. "Eu gostaria que os participantes saíssem com mais perguntas do que entraram, mas perguntas melhores", resume Anna.

Segundo a pesquisadora, quando uma comunidade amplia seu repertório de futuros, alternativas antes invisíveis ou consideradas inviáveis podem passar a fazer parte do campo de possibilidades. "A proposta, portanto, é contribuir para que Paracatu tenha uma relação mais consciente, criativa e responsável com as transformações que já estão em curso", adianta.

Uma jornada que continua

O Laboratório é a primeira das quatro etapas do III Seminário de Economia da Cultura de Paracatu. Depois da experiência, serão realizados o Bootcamp Laboratório Futuros de Paracatu, de 2 a 4 de setembro; o Encontro de Diálogos, de 10 a 12 de setembro; e, ao final, a Missão Rio de Janeiro – Museu do Amanhã, que selecionará dez participantes das três etapas anteriores para uma experiência de imersão no Rio de Janeiro.

Em 2026, o Seminário passa a integrar oficialmente o Projeto CUTUCAR – Cultura e Turismo no Caminho Real: Educação Patrimonial e Inclusão Social, realizado pela GUIASTUR e pelo Ministério da Cultura, com patrocínio da Kinross, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). A integração aproxima cultura, turismo, patrimônio, educação, meio ambiente e desenvolvimento em uma mesma agenda territorial.

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