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Por que os brasileiros estão adiando a compra de smartphones

O aumento dos preços dos smartphones e o encarecimento do crédito têm levado consumidores brasileiros a prolongar o ciclo de uso dos aparelhos. Dados da IDC indicam que as vendas no país devem cair para 31,6 milhões em 2026, o menor patamar desde 2012. O comportamento inclui troca de bateria, manutenção e busca por dispositivos recondicionados ou por assinatura.

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Por que os brasileiros estão adiando a compra de smartphones

O aumento dos preços dos smartphones está mudando a forma como os brasileiros consomem tecnologia. Em vez de trocar de aparelho a cada lançamento, muitos consumidores passaram a prolongar o ciclo de uso dos celulares diante de preços mais altos, crédito caro e menor percepção de ganho entre as novas gerações de dispositivos. Bastava um lançamento chegar ao mercado trazendo uma câmera melhor, uma tela diferente ou mais velocidade para muita gente considerar a substituição do aparelho.

Hoje, a decisão passa longe do impulso. O consumidor continua conectado o tempo todo, depende do celular para trabalhar, estudar, consumir conteúdo e resolver a rotina, mas tem pensado duas, três vezes antes de investir em um novo modelo.

Os dados do mercado refletem exatamente esse comportamento. Segundo projeções da IDC (International Data Corporation), principal consultoria global de inteligência de mercado focada em tecnologia da informação, telecomunicações e tecnologia de consumo, o Brasil deve encerrar 2026 com 31,6 milhões de smartphones vendidos, volume inferior ao registrado no ano anterior e o menor patamar desde 2012.

Ao mesmo tempo, especialistas estimam novos aumentos nos preços dos aparelhos, impulsionados principalmente pelo custo dos componentes eletrônicos e pela pressão global sobre a cadeia de semicondutores. O consumidor brasileiro continua valorizando tecnologia, mas está cada vez menos disposto a assumir parcelas longas para trocar um aparelho que ainda funciona bem.

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O principal motivo está no preço. Os smartphones ficaram caros demais para boa parte da população. Modelos premium ultrapassam facilmente a faixa dos R$ 10 mil, enquanto aparelhos intermediários, que antes ocupavam um espaço mais acessível, custam valores que comprometem o orçamento de muitas famílias. Com juros altos, crédito caro e dólar pressionado, a troca deixou de ser automática e passou a exigir planejamento.

Na prática, o consumidor brasileiro aprendeu a prolongar a vida útil do aparelho. Troca bateria, faz manutenção, libera memória, compra acessórios de proteção e assim continua usando o mesmo celular por mais tempo. O ciclo de renovação anual praticamente desapareceu fora de uma parcela muito específica do mercado.

"Outro ponto importante é que as evoluções entre uma geração e outra já não parecem tão revolucionárias para a maior parte das pessoas. Os aparelhos estão mais potentes e repletos de recursos ligados à inteligência artificial, mas muitos consumidores não enxergam mudanças concretas suficientes para justificar um investimento tão alto. Para quem usa o celular no dia a dia para redes sociais, aplicativos bancários, vídeos e mensagens, um aparelho de dois ou três anos ainda atende bem", explica Stephanie Peart, Head da Leapfone.

A evolução da estratégia das fabricantes também contribuiu para esse cenário. Com foco em dispositivos de maior valor agregado, o mercado passou a priorizar funcionalidades avançadas e experiências premium, elevando gradualmente os preços dos lançamentos. Como resultado, os modelos de entrada perderam espaço, ampliando a distância entre as opções disponíveis e o orçamento de muitos consumidores brasileiros.

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Diante desse contexto, modelos alternativos de consumo têm ganhado relevância. O crescimento do mercado de seminovos, aparelhos recondicionados e serviços de assinatura de smartphones reflete a busca dos consumidores por formas mais acessíveis de acesso à tecnologia. A tendência acompanha o perfil mais cauteloso do brasileiro, que tem avaliado com maior critério investimentos de alto valor, como a compra de um novo celular.

O celular continua sendo um item essencial na rotina dos brasileiros, mas a forma de consumir tecnologia está mudando. Embora o interesse por novos dispositivos permaneça elevado, fatores como preços mais altos e ciclos de inovação mais longos têm levado os consumidores a adotar decisões de compra mais criteriosas.

"Nesse contexto, cresce a busca por alternativas que permitam acesso à tecnologia sem exigir investimentos cada vez maiores, enquanto a troca de aparelho deixa de ser impulsiva e passa a ser resultado de uma análise mais cuidadosa sobre custo, benefício e necessidade real", conclui Peart.

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Gestão em saúde ocupacional evolui com nova proposta

AGSSO defende que empresas assumam protagonismo técnico em linha com mudanças regulatórias e inicia novo ciclo de gestão em julho/2026

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Gestão em saúde ocupacional evolui com nova proposta

A discussão sobre a responsabilidade técnica em programas de saúde ocupacional ganha força à medida que empresas e entidades do setor defendem um modelo em que a responsabilidade perante os conselhos profissionais seja atribuída às organizações e não exclusivamente aos médicos registrados individualmente. A proposta acompanha a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), em vigor desde 2025, que ampliou o papel das empresas na gestão integrada de saúde e segurança do trabalho, incluindo fatores de risco psicossociais.

Na avaliação de especialistas, o reconhecimento da empresa como responsável técnica tende a conferir maior estabilidade aos programas de saúde ocupacional, uma vez que a estrutura organizacional permanece ativa independentemente da substituição de profissionais. Nesse modelo, o profissional de medicina mantém sua atuação como diretor técnico ou coordenador dos programas, enquanto a responsabilidade regulatória passa a ter caráter institucional, reduzindo processos administrativos e fortalecendo a governança corporativa.

O formato atualmente adotado exige que as organizações atualizem os registros junto aos conselhos profissionais sempre que ocorre a substituição do médico responsável. Além do impacto operacional, estudos publicados na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (RBSO) apontam que o excesso de procedimentos burocráticos figura entre os principais fatores que comprometem a eficiência dos programas voltados à saúde dos trabalhadores.

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Com 11 anos de atuação, a Associação de Gestão em Saúde e Segurança Ocupacional (AGSSO) defende que a mudança representa uma evolução do modelo de gestão adotado no país. O presidente eleito da entidade, César Augusto Ciongoli, que assumirá o cargo em 28 de julho de 2026, afirma que a proposta busca adequar a responsabilidade técnica à realidade operacional das organizações.

"As empresas possuem estrutura permanente para garantir a continuidade dos programas de saúde ocupacional, enquanto os profissionais podem ser substituídos ao longo do tempo. O reconhecimento da responsabilidade institucional fortalece a governança, reduz entraves administrativos e preserva a atuação técnica dos médicos e demais especialistas envolvidos na condução dessas iniciativas", destaca o executivo.

Levantamentos recentes indicam que a discussão também encontra respaldo nas prioridades das empresas. A pesquisa Pulso RH 2025, realizada pela Alice em parceria com a Beneficência Portuguesa de São Paulo, mostra que organizações que investem de forma estruturada em saúde e bem-estar registram maior engajamento dos colaboradores.

Segundo o estudo, 70% dos trabalhadores dessas empresas classificam sua saúde como "boa" ou "ótima", enquanto 65% dos gestores apontam a burocracia como um dos principais obstáculos para ampliar a efetividade dos programas de saúde ocupacional. Já 82% dos profissionais afirmam confiar mais em iniciativas conduzidas diretamente pelas empresas.

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Para Ciongoli, o debate sobre responsabilidade institucional tende a ganhar relevância diante da ampliação das exigências regulatórias e da necessidade de tornar os programas de saúde ocupacional mais eficientes.

"A AGSSO inicia um novo ciclo comprometida em ampliar o diálogo entre empresas, profissionais e órgãos reguladores para contribuir com um ambiente de negócios mais seguro e eficiente. A partir de 28 de julho, nossa atuação será voltada à continuidade do trabalho desenvolvido pela associação, buscando soluções que conciliem segurança jurídica, eficiência operacional e proteção à saúde dos trabalhadores", conclui.

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