A Arte de Viralizar
O São João na era do algoritmo: O fim do modelo “raiz” e a ascensão do festival espetáculo
Quem tenta enxergar o São João do Brasil sob uma ótica intocável, movido puramente pela nostalgia de uma celebração comunitária, do interior e da “raiz”, está olhando para o mercado com um espelho retrovisor. A verdade nua e crua é que a celebração perdeu o seu caráter estritamente tradicional para abraçar a lógica dos grandes festivais de entretenimento. Essa mudança profunda na estrutura do evento dita as novas regras do mercado e da própria Creator Economy.
A perda do rótulo “raiz” é visível em cada detalhe da experiência atual. O São João, que historicamente nasceu da espontaneidade dos bairros, da fogueira na porta de casa e do forró pé-de-serra, passou por uma reconfiguração urbana. Hoje, os sintomas dessa transformação estão por toda parte: estão nos palcos, onde nomes do trap, MCs de funk e DJs de música eletrônica dividem o espaço e a atenção com o piseiro e o sertanejo; e estão nas próprias barracas de quermesse, onde os alimentos tradicionais à base de milho agora dividem o protagonismo com o fast-food gourmetizado ou marcas globais que realmente invadiram as arenas com drinks instagramáveis em copos de acrílico patrocinados, ou operações de “food trucks” que substituem as barraquinhas de madeira da comunidade.
Essa hibridização mostra que o São João moderno não quer mais ser um museu de costumes passados; ele quer ser gigante, inclusivo e, acima de tudo, comercialmente viável. O público mudou, os hábitos mudaram e a celebração acompanhou esse fluxo. Os ritmos mudaram porque o line-up dos festivais hoje é moldado pelo gráfico de engajamento do TikTok e do Spotify. O São João não abre espaço para o trap só porque quer ser jovem, mas porque o algoritmo dita que essas são as músicas que geram retenção e reels compartilhados
Nesse novo cenário, a diferença real entre as festas que acontecem nas arenas do Nordeste e os eventos que tomam conta do eixo Rio-São Paulo não está na presença ou ausência da modernidade, mas sim na narrativa de pertencimento e em como os influenciadores digitais gerenciam esse novo formato.
No Nordeste, o foco é a identidade adaptada. Lá, os criadores de conteúdo nativos mostram como a tradição sabe ser generosa e abrir espaço para o novo sem perder sua essência. Eles traduzem uma juventude que é global: que consome trap, dança funk, mas que faz tudo isso batendo no peito pelo orgulho de sua herança cultural. Para esse ecossistema, o influenciador local funciona como o ponto de equilíbrio, validando a modernização e garantindo que a entrada de marcas globais e novos ritmos some à festa, em vez de apagá-la.
Já no Sudeste, o foco é o lifestyle instagramável (o “look de São João”). Por isso, nessa região a dinâmica dos influenciadores urbanos opera sob a ótica do lifestyle e da curadoria estética. Longe do berço histórico da celebração, esses creators atuam como embaixadores de uma releitura puramente pop e visual. O foco ali é ditar as tendências de moda inspiradas no tema, promover os grandes festivais das capitais e misturar as bandeirinhas com o ambiente das metrópoles. Nas capitais do eixo Rio-SP, a quermesse é ressignificada como um grande ponto de encontro multicultural e de entretenimento.
O fim do São João “raiz” não é uma perda, mas uma oportunidade de ouro. Em junho, as marcas não investem mais em um nicho folclórico isolado; elas investem na atenção emocional de uma audiência hiperconectada. Compreender o papel dos influenciadores como os grandes tradutores desse novo comportamento é fundamental para o sucesso de qualquer campanha.
Rotular essa transição como a “morte da tradição” é uma análise simplista que ignora a dinâmica viva da cultura popular. O São João deixou de ser raiz para poder crescer, profissionalizar-se e se tornar um mercado bilionário. O grande desafio para as agências, marcas e criadores é garantir que esse novo formato de festival continue tecnológico, diverso e aberto ao novo, mas sem que o mercado se esqueça de respeitar a matriz cultural e a história que acenderam essa fogueira pela primeira vez.
*As ideias e opiniões expressas nos artigos são de exclusiva responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente, as opiniões do Portal Radar Digital Brasília.
A Arte de Viralizar
O milhão de curtidas do Alvaro: o que o novo topo da publicidade digital ensina ao mercado
Published
1 semana atráson
8 de julho de 2026
Foto: crédito: 2Barcos Filmes
Quem acompanha os bastidores do marketing de influência sabe que o algoritmo das redes sociais se tornou um território de guerra. Com o alcance orgânico cada vez mais estrangulado, marcas de grande porte muitas vezes se veem obrigadas a injetar caminhões de tráfego pago para conseguir que suas campanhas gerem algum tipo de conversão ou barulho real. No entanto, quando a estratégia artística se une à comunidade verdadeira, o mercado presencia marcos que desafiam as métricas tradicionais.
Recentemente, na Viraliza, celebramos um resultado que considero um divisor de águas para o cenário publicitário atual. Duas grandes campanhas nacionais protagonizadas pelo influenciador Alvaro Xaro quebraram a barreira do engajamento comum: a ação desenvolvida para O Boticário ultrapassou a marca histórica de 1 milhão de curtidas, enquanto a parceria com a Itaipava já soma mais de 980 mil interações orgânicas.
Em uma era em que o público desenvolveu uma espécie de “blindagem” contra anúncios comerciais engessados, bater esses números não é apenas motivo de comemoração interna; é uma lição prática sobre para onde a economia da influência está caminhando.
A morte da “publi” comercial e o nascimento do entretenimento
O primeiro grande aprendizado desse marco é que a era do influenciador que apenas segura o produto e lê um roteiro morre um pouco mais a cada dia. O consumidor moderno não rejeita a publicidade, ele rejeita o tédio.
Quando o Alvaro entrega mais de um milhão de interações em uma campanha, não é porque ele tem milhões de seguidores, existem perfis maiores que não alcançam um terço disso. O segredo está no formato. A Viraliza atua na gestão artística para garantir que a marca não entre como um corpo estranho na rotina do criador, mas sim como parte orgânica do entretenimento que aquela comunidade consome voluntariamente.
O papel das agências: curadoria e blindagem de narrativa
Muitas empresas ainda cometem o erro de enxergar agências de influência apenas como intermediárias de contratos ou “balcão de negócios”. O sucesso de casos como os do Alvaro prova que o mercado amadureceu para um modelo de parceria estratégica.
O papel do gerenciamento 360 é entender o DNA do talento e saber exatamente o limite sutil entre a necessidade comercial do anunciante e a liberdade criativa do artista. Se você engessa o criador, a audiência percebe o “comercial de TV” e arrasta o dedo para cima. Se você dá liberdade assistida e estratégica, o público engaja, defende a marca e consome o produto.
A métrica que importa em 2026
Bater um milhão de curtidas em uma ação publicitária chancela o que defendemos todos os dias: relevância e atenção são as moedas mais valiosas do mercado atual. Para as diretorias de marketing e agências que planejam seus próximos trimestres, o recado é claro: parem de comprar apenas números de seguidores e comecem a investir em ecossistemas de fãs.
A publicidade que funciona é aquela que gera conversa, que vira meme, que gera identificação. E o Alvaro, sob o olhar estratégico da Viraliza, acaba de desenhar o novo mapa de calor para as grandes marcas do país. O topo do engajamento não pertence mais a quem paga mais por impulsionamento, mas sim a quem sabe contar a melhor história.

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