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UPA do Gama completa 4 anos com mais de meio milhão de atendimentos

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Unidade, referência em urgência e emergência, agora inova com teleconsulta para ampliar resolutividade e acolhimento
Por Giovanna Inoue
Nascido e criado no Gama, Israel Pereira Souza começou a frequentar a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em 2024. Na época, ele sentiu fortes dores no peito e na perna, além de falta de ar.
“Fui muito bem atendido, o pessoal sempre me trata muito bem”. Para ele, a unidade trouxe facilidade e conforto à comunidade. “Nota dez”, pontua.
O acolhimento de Israel está na estatística dos mais de 535 mil atendimentos feitos pela UPA do Gama em seus 4 anos de história. Inaugurada em 27 de outubro de 2021, a unidade, administrada pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), já realizou mais de 80 mil atendimentos apenas em 2025.
O gerente da UPA, Flávio Oliveira Amorim, afirma que a unidade se destaca pelo atendimento acolhedor e humanizado, e pela equipe comprometida em cuidar com responsabilidade e respeito.
“Com protocolos bem definidos, empenho diário dos profissionais e o apoio das equipes terceirizadas parceiras, garantimos um serviço de urgência com qualidade, agilidade e escuta ativa, em sintonia com as necessidades da comunidade”, ressalta.
O técnico de enfermagem Davi Cordeiro de Azevedo é um dos cerca de 160 colaboradores do IgesDF que trabalham na UPA. Segundo ele, a equipe da unidade, que ainda conta com 50 terceirizados, é acolhedora, comprometida e prioriza o bem-estar do paciente. “O foco não é apenas tratar, mas também acolher e escutar, o que faz toda a diferença no atendimento de urgência e emergência”, finaliza.
A radiologista Marilia Soares trabalha na UPA do Gama desde sua inauguração. “Estamos sempre juntos, acolhendo o paciente e os colaboradores. Nós trabalhamos em equipe, a radiologia, os médicos, a enfermagem, a coordenação, sempre para dar o melhor”, completa.
Com atendimento 24 horas, todos os dias da semana, a UPA do Gama tem capacidade para atender 4.266 pessoas por mês. A estrutura conta com dois leitos na sala vermelha, sete na sala amarela e 10 poltronas para medicação, inalação e reidratação na sala verde. Além do atendimento clínico de urgência e emergência, a unidade realiza exames laboratoriais, radiológicos e a administração de medicamentos.
Teleconsulta agiliza atendimento
Além do serviço presencial, a UPA do Gama também oferece teleatendimento. A medida visa dar mais resolutividade aos casos classificados como verdes, pacientes com menor gravidade que, muitas vezes, enfrentam longas esperas ou desistem do atendimento.
Na consulta, o paciente é encaminhado para uma sala equipada com câmera, microfone e sistema eletrônico. O atendimento é realizado por médicos, que podem solicitar exames, prescrever medicamentos, emitir atestados e, se necessário, encaminhar o caso para atendimento presencial.
O teleatendimento foi instituído em maio deste ano e, desde então, já foram realizados 2.204 atendimentos, com junho registrando o recorde de 625 consultas nesse formato. A unidade apresenta um alto índice de adesão dos pacientes, com 59,21%. Essa taxa indica que o serviço tem contribuído de forma significativa para o manejo de casos de menor gravidade, garantindo resolutividade, otimização do fluxo assistencial e redução da sobrecarga nas equipes presenciais.
Para os próximos anos, o gerente Amorim espera que a UPA opere de forma ainda mais eficiente, com redução nos tempos de espera, melhor resolubilidade e índices de satisfação cada vez mais altos. “Seguiremos trabalhando com dedicação total, pois cada atendimento realizado é a reafirmação do nosso compromisso inabalável de cuidar com excelência do povo do Gama”, finaliza.

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Teatro Caleidoscópio aborda filosofia e debate público em: Cicuta (ou Um tal de Sócrates)

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Montagem exalta a educação como ferramenta de emancipação crítica

Há mais de trinta anos dedicado à criação de espetáculos que articulam teatro, estética, filosofia e debate público, o Grupo-Teatro Caleidoscópio apresenta, em dois finais de semana de agosto, a sua nova montagem, Cicuta (ou Um tal de Sócrates). A peça acompanha o julgamento e a morte de Sócrates, apresentado não como monumento da filosofia, mas como um homem perigoso por ensinar jovens a pensar e a insinuar a existência de novos deuses.

Entre o tribunal, o oráculo e a prisão, o espetáculo atualiza o método socrático para o presente, confrontando o público com perguntas sobre obediência, educação, democracia e responsabilidade. “Em um momento eleitoral decisivo, é importante falar da importância do voto automático, do medo do outro e da influência da mídia, convidando especialmente os jovens eleitores a refletirem além dos clichês ideológicos”, diz o diretor e dramaturgo da peça, André Amahro.

Sem indicar posições políticas, a peça afirma o pensamento crítico como ato ético e lembra que, como dizia Sócrates, “uma vida sem exame não vale a pena ser vivida”. Tudo o que se sabe sobre ele foi escrito por Platão – filósofo que tinha intenção original de se tornar dramaturgo – e outros pensadores da época (século V a.c.).

A dramaturgia segue, principalmente, as fontes platônicas, como os quatro diálogos referentes ao julgamento e à morte de Sócrates, que funcionam como verdadeiras tragédias. “Considerando que a intenção original de Platão era ser dramaturgo – daí a história de Sócrates em diálogos, como uma peça de teatro –, é possível ver Sócrates como um herói trágico da mesma estatura que Édipo e Hamlet, por exemplo”, analisa Amahro.

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O título Cicuta (ou Um tal de Sócrates) sintetiza as duas dimensões centrais do espetáculo. Cicuta remete ao desfecho trágico do filósofo, condenado à morte por envenenamento, por desafiar as certezas de seu tempo; Um tal de Sócrates aproxima essa figura monumental do homem comum, retirando-o do pedestal da História para colocá-lo diante do público de hoje.

Mais do que narrar a morte de um filósofo, a peça investiga por que uma sociedade decide silenciar quem faz perguntas incômodas. A cicuta torna-se, assim, menos um veneno e mais o símbolo do preço que o pensamento crítico frequentemente paga quando confronta o poder.

 

Feminismo singular

Estão na peça as atrizes Vanessa Di Farias (Sócrates), Sandra Regina (Meleto), Flavia Neiva (Anito) e Raquel Aló (Pitonisa), além do multi-instrumentista Elias Santos, responsável pela trilha original do espetáculo. Majoritariamente feminina, a composição do elenco surge como um acaso da própria configuração do grupo, mas revela uma camada conceitual potente do espetáculo: uma estética anti-gênero, na qual o corpo do ator é entendido como instrumento ficcional livre para a criação de personagens, para além de papéis fixados por identidade. Ao mesmo tempo, esse dado acidental ganha força política e poética ao apontar um lugar de feminismo singular, em que as personagens podem ser vistas como mulheres dizendo a outras mulheres o conteúdo filosófico da peça.

Essa escolha dialoga diretamente com a realidade eleitoral brasileira, na qual as mulheres são maioria absoluta do eleitorado — mais de 81,8 milhões de eleitoras, correspondendo a 52,47% do total, sendo cerca de 20 milhões na faixa etária entre 45 e 59 anos — reforçando a pertinência de um espetáculo que convoca reflexão crítica, ética e política a partir de vozes femininas em cena.

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O Grupo-Teatro Caleidoscópio 

O Teatro Caleidoscópio é um projeto independente de pesquisa teatral fundado, desenvolvido e dirigido pelo ator e diretor André Amahro, que toma emprestadas as dinâmicas do caleidoscópio para orientar o trabalho do ator e da encenação. Nasceu em 1994, como projeto de extensão da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, em Brasília, dando origem ao chamado Grupo Caleidoscópio. O projeto lhes rendeu um teatro de bolso, uma dissertação de Mestrado, três livros publicados, 25 espetáculos encenados, prêmios e indicações em festivais e o Prêmio Brasília 60 anos, conferido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF. Participou três vezes do Festival Internacional de Teatro Cena Contemporânea, em Brasília, e de mostras internacionais de teatro na França, Angola e Portugal. + em https://www.andreamahro.com/teatro-caleidoscopio

 

Serviço:

Cicuta, do Grupo-Teatro Caleidoscópio 

Local: Teatro Engrenagem

Endereço: SHCGN 708/709 Bloco B, entrada 30, subsolo

Temporada: de 31/7 a 9/8, sextas, às 20h, e sábados e domingos, às 18h

Ingressos: 60,00 (inteira) e 30,00 (meia entrada para estudantes, professores, 60 + e PCDs ou + 1 Kg de alimento não perecível)

Bilheteria: http://www.sympla.com.br/event__3500045

Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos

Duração: 60 min

Informações: 61.99592 7107 (WhatsApp)

 

Ficha técnica:

Dramaturgia | André Amahro

Direção Geral | André Amahro 

Elenco | Vanessa Di Farias, Flavia Neiva, Sandra Regina Raquel Aló.

Iluminação | Claudio Lago

Produção | Grupo Caleidoscópio

Direção de Arte e Fotografias André Amahro e Claudio Lago

Trilha Sonora Original e Direção Musical | Elias Santos

Apoio | Sindilegis, NNC e Incentivo Cultural

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